Prefeitos metropolitanos são contrários à retomada das aulas

Prefeitos e secretários municipais da Região Metropolitana de Porto Alegre reuniram-se nesta quinta-feira (3) para discutir a retomada das atividades escolares presenciais. Para o grupo, a situação da saúde ainda não está estável e o reinício das aulas colocaria vidas em risco. “Também precisamos de tempo para organizar as nossas estruturas de educação e pensar pedagogicamente na qualidade do ensino das crianças”, destacou a presidente da Granpal e prefeita de Nova Santa Rita, Margarete Ferretti — que também é professora.

Para o prefeito de Cachoeirinha, Miki Breier, começar em setembro pela Educação Infantil é inviável. Ele ainda sugere que o Estado proponha uma retomada gradativa diferente entre a rede pública e a privada. “São cenários completamente distintos — sejam eles econômicos, de estrutura, de ordem financeira”, pontuou.

De Santo Antônio da Patrulha, o prefeito Daiçon Maciel da Silva entende que é preciso ter cautela e ouvir os atores sociais. “Temos escutado a comunidade para construir um caminho seguro. Essa responsabilidade não pode ser apenas do prefeito: precisa ser partilhada com todos”, afirmou. O chefe do Executivo está reunindo a representação de conselhos municipais, associações e órgãos epidemiológicos.

Médico e prefeito de Sapucaia do Sul, Luis Rogério Link relembrou que, há dois meses, os hospitais estão 100% lotados em virtude da Covid-19. Nesse cenário, segundo ele, é impossível retomar a rotina escolar com normalidade. “As pessoas se cansaram da pandemia, e isso é compreensível. Mas a gente não pode deixar de lado a responsabilidade”, frisou. O líder do Executivo sapucaiense também apontou que o Testar RS – programa de testagem do governo do Estado – ainda não beneficiou sua cidade.

Organizar a rede de ensino

Secretária de Educação de Triunfo, Roseli Machado entende que a decisão do Estado de recomeçar pela Educação Infantil é inadequada. “Quem tem Educação Infantil é o município, portanto o Estado não pode ditar essa regra. É a cidade que conhece a sua realidade”, destacou a professora. Segundo Roseli, os conselhos municipais de Educação e de Saúde não validam o recomeço.

Na mesma linha vai o município de Guaíba: “É arriscado para as crianças, para os professores, para toda comunidade escolar que é vulnerável”, afirmou o secretário de Educação, Cesar Weimer. Na avaliação dele, o Estado não pode ter bandeiras regionalizadas e um calendário único escolar de reinício. Weimer reforçou a necessidade de emprestar olhares diferentes para rede pública e privada.

Gravataí possui a segunda maior rede pública de educação do Estado. E para o secretário da pasta, Jean Pierre Torman, agora é preciso pensar em como voltar — na estrutura física, no transporte escolar e em todo o restante. Ele pontuou ainda que “escola pública não pode ser tratada como escola privada”. Para o representante de Viamão, nos próximos 30 dias será impossível recomeçar. “A decisão do Estado gerou apenas mais pressão da sociedade”, concluiu o secretário de Saúde, José Ricardo Agliardi Silveira.




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