Prefeitura de Canoas lança edital para instalação de usina que vai transformar lixo em matéria-prima

Uma gestão integrada e sustentável dos resíduos da construção civil, demolição e volumosos de Canoas. Esse será o resultado da instalação da usina de reciclagem de resíduos da construção civil, demolição e volumosos (RCC), que terá uma central de triagem e beneficiamento. O projeto teve edital para contratação de empresa publicado na quinta-feira (20).

Com previsão de início da operação em 2019, a usina será responsável por recolher, separar e beneficiar diversos tipos de lixo descartados em Canoas. O resíduo beneficiado, por sua vez, será transformado em materiais de construção (areia, pedra, brita) para uso nas obras de infraestrutura do município. Nestes moldes, trata-se da primeira usina municipal de reciclagem central de triagem e beneficiamento dos resíduos da construção civil, demolição e volumosos no Rio Grande do Sul.

Conforme o edital, que segue o modelo licitatório de Concorrência Pública, o Município irá ceder uma área de cinco hectares no Parque Industrial Jorge Lanner para a instalação da nova usina. A cessão do terreno entra como contrapartida do projeto. Os custos para construção do complexo e a aquisição de máquinas e equipamentos para o funcionamento da usina ficarão por conta da empresa vencedora da licitação. O valor total estimado para viabilizar o empreendimento é de R$ 6 milhões.

Usina vai recolher cerca de 15 mil m³ por mês

Após o início da operação, o contrato prevê o pagamento de R$ 1,2 milhão mensais por parte da Prefeitura de Canoas pela prestação do serviço. Em média, a usina irá recolher, separar e beneficiar cerca de 15 mil m³ de resíduos por mês. A capacidade da empresa, porém, será 15% superior a essa quantidade. O projeto de instalação da usina de reciclagem é uma política pública adotada com base no Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção Civil e no Sistema de Gestão Sustentável de Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos, lei municipal criada pela Prefeitura de Canoas e aprovada em setembro deste ano.

De acordo o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, a instalação da usina de reciclagem é uma conquista histórica em termos de sustentabilidade ambiental para o município. “Com o beneficiamento dos materiais que hoje não têm uma utilidade para a cidade, teremos a produção de insumos para nossas obras de infraestrutura. Isso significa que, além do benefício ambiental, fruto da reciclagem dos resíduos sólidos, iremos gerar uma economia significativa na compra de matéria-prima para o município. O projeto está 100% alinhado ao nosso Plano Municipal de Gestão de Resíduos da Construção Civil, aprovado pela nossa gestão em setembro deste ano”, analisa Busato.

Reciclagem para gerar insumos

Para se ter uma ideia do tamanho da mudança: hoje, a cidade gasta o mesmo valor (R$ 1,2 milhão) somente para recolher e dar um destino ao resíduo. Com a usina, os materiais serão beneficiados e transformados em matéria-prima para realização de obras. A empresa ficará ligada à Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSU), que será a pasta responsável por fiscalizar e gerenciar o trabalho da usina. A SMSU também planejou todo o projeto de gestão dos resíduos sólidos de Canoas.

Para o secretário de Serviços Urbanos, Paulo Osório, o projeto da usina de reciclagem é resultado de um trabalho intenso de identificação dos pontos mais críticos de descarte irregular, de monitoramento dos tipos de resíduos descartados e do planejamento transparente para solucionar o problema. “Nos moldes como estamos fazendo, Canoas é a primeira cidade do Rio Grande do Sul a implementar esse tipo de serviço ambiental. A instalação da usina coloca o município em outro patamar na política de destinação dos resíduos da construção civil, um problema grave nas principais cidades brasileiras”, explica Osório.

Higienização dos pontos de lixo

O serviço prestado pela usina irá além do processo de reciclagem. De acordo com o termo de referência que consta no edital, a empresa vencedora da licitação terá a missão de disponibilizar duas caixas estacionárias (recipientes para recolher lixo) nos pontos mais críticos de descarte irregular de lixo em Canoas. Dispostos de sinalização adequada, os recipientes serão recolhidos a cada dois dias e levados até a usina para o devido destino sustentável.

A empresa responsável pela usina também fará o recolhimento de resíduos nos cinco Ecopontos de Canoas. Hoje, esses pontos de coleta de lixo recebem 2.500 m³ de descarte regular.

O trabalho de reciclagem de parte dos resíduos sólidos descartados em Canoas irá acabar com o passivo de lixo acumulado no Jorge Lanner. A área, que fica no bairro Niterói, é o local que atualmente recebe o descarte de uma parte do lixo gerado no município.

Conscientização ambiental

Outro foco do novo projeto da prefeitura é a educação ambiental dos canoenses. Na busca de uma conscientização sustentável, o projeto inclui a contratação de oito agentes públicos que irão atuar na cidade com o intuito de fiscalizar o descarte de lixo irregular. Além disso, in loco, o grupo de fiscais irá informar a população sobre a destinação correta desses resíduos – o que se encaixa no vetor educacional deste projeto. Serão deslocados dois agentes por quadrante.




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